quinta-feira, 13 de novembro de 2014

manga no pé

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manga no pé

Já dizia o Arnaldo Antunes que Os nomes das coisas não são as coisas, e faz tempo que venho pensando a respeito de como aquilo que a sociedade consumimos hoje é pura ilusão. Várias coisas que consumimos hoje, só tem das coisas de verdade o nome. como o leite da caixinha que não é leite, o arroz integral que é "tipo" integral, e o frango não é mais frango.
Depois de uma viagem divertida com muitas  mangas no pé, hoje me inspirou á reflexão uma imagem da embalagem de suco que não é suco. A marca tá ai pra todo mundo ver e é de propriedade daquela marca de refrigerante, que não é o que tenta parecer.
Depois da regra que não permitia mais chamar isso de suco, criaram a categoria de Néctar de fruta. peraí! o que aprendi a respeito de néctar mesmo?


Néctar. Substantivo masculino; é uma substância aquosa secretada pelos vegetais através de glândulas especializadas. Sua constituição química geralmente inclui açúcares em quantidades variáveis de acordo com a espécie.


Dai eles pegam água, bastante açúcar, um pouquinho só de polpa de fruta, ácido cítrico, corantes e conservantes, mais um aroma artificial de manga que é idêntico ao de manga. entende? é quase como se fosse manga mesmo, chamam isso então de néctar, não é suco nem é néctar, você vai acreditar que é um suco de manga daquelas madurinhas e doces igual à bonita manga da foto que ilustra a embalagem...

Êpa! estão mentindo de novo. aquela imagem na embalagem não é e não pode ser uma manga.
Olhe para aquela imagem e veja aquela folhinha agarrada no talo da manga.
Quem conhecer de manga, que tenha por costume chupar manga panhada no pé, logo saberá que aquilo não é uma folha de manga, saberá que nenhuma manga tem folha agarradinha no talo desse jeito.
flor de mangueira

Quem já viu e consequentemente sentiu o delicioso perfume de Mangueira Florida sabe que a mangueira floresce em cachos, cada manga vai crescer na ponta de um comprido talo bem longe das folhas.


O problema é que as pessoas não vão mais à mangueira, vão à gôndola e levam pras suas geladeiras as caixinhas de néctar e vai pensar que está vendo uma manga na embalagem, dai eles vão mudando e atualizando o design da embalagem, se tornando cada vez mais real, um dia poderão ver um desenho de uma goiaba, um pêssego e acreditar que é uma manga, qualquer coisa em fotografia digital serve porque afinal de contas ninguém nunca viu uma manga mesmo.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Brisa

vem e passa
não te vejo
sua presença  percebo
intensa
sinto 
perfume de flor
sussurra
suave melodia
carinhosa amizade
alegria de dar e receber
sopro de vida
paz

terça-feira, 17 de junho de 2014

Desejo Só

entrego-me ao desejo proibido
hesito por segundos diante da tua boca
não apagarei teu sorriso cativante
teus lábios floridos tremulam
me chamam
o sorriso envolto no beijo
o braço enlaça o abraço
e te arrasta o corpo 
e te cola ao meu
a mão trêmula suave 
percorre tua pele
reconhece a maciez do teu cheiro
desliza e se encaixa
na curva generosa dos teus quadris
nossos corpos misturados
Agora são
um sonho só.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Presença

dos carnudos lábios
provar o mel
tocar o céu
aquece, não esquece
Pulso que pulsa
chama que me chama
ama me ama

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

ladrão comédia!

Minhas coisas de valor
roubaram aqui. 
ah nem!
vale pra mim
pra mais ninguém
celular véio bloqueado
Saco de Latinha porra!
Se tinha Green até?
Comédia levou acetona

glicerina
E Esfoliante de pé


reinterpretação livre do texto original de Patricia Britto

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O tesão de cozinhar com afeto - parte 2

Era para não ter sido um sábado qualquer...
E não foi mesmo...
E nenhum sábado jamais foi o mesmo sábado qualquer...

Ele acordou de manhã. Bem cedo. Acordar aqui é força de expressão, é modo de dizer, pois nem tinha dormido direito, pôs-se de pé às 7 da manhã. já começou trocando o lençol da cama que precisava estar preparada. Nada poderia faltar ou dar errado naquele dia. Foi necessário dar uma vassourada na casa, um paninho aqui, limpa bem a cozinha, ou melhor, o palco para este dia. A escolha do cardápio foi cuidadosa, não haveria um prato requintado nem a companhia de um bom vinho, aqueles tempos eram de escassez naquela casa. Haveria sim a simplicidade requintada de um almoço barato nutritivo e principalmente, preparado com afeto.
(Latim affectus particípio passado do verbo afficere. Tocar, comover o espírito e, por extensão, unir, fixar (it. attaccare))
Toalhas limpas no banheiro quase limpo. não deu tempo de limpar tudo.
Na noite anterior tinha ficado até madrugada conversando via messenger com a convidada do almoço de hoje, combinando detalhes, trocando gentilezas e flertes à distância, esse vinha sendo o único meio pelo qual tinham se permitido paquerar até então. a conversa tinha girado por vários caminhos como imaginar o sabor do beijo e outros relacionamentos. Ansioso ele foi pra cama e não conseguia dormir, voltou pro computador tentou escrever poesia, voltou pra cama e ao computador ainda outras vezes entre  4 e 5 da manhã. A única frase na tela do editor de texto dizia "meu coração bate diferente quando estou perto de você".
Estava enfim tudo pronto, a casa pronta, músicas pra tocar, e o mais importante: os ingredientes do almoço devidamente preparados e a postos.
O plano previa começar o preparo da comida um pouquinho antes dela chegar, mas como saber a hora? ansiedade nível 8.
Cozinhar com afeto vai tocar e comover as pessoas que se fartarão daquele alimento preparado, é um ritual onde cada gesto, da manipulação dos ingredientes ao serviço final e o prato na mesa, é executado com o foco nelas, a mente do cozinheiro estará focada nos melhores sentimentos e emoções que o une a elas.
Todos os seres tem seus rituais de acasalamento e as ferramentas de sedução sempre passam por demonstrar dotes e habilidades. Por isso a cozinha aqui é o palco, claro que não teria o mesmo significado se ela chegasse e o almoço estivesse pronto, seria preciso fazer pra ela a sua dança de acasalamento, pilotar com desenvoltura e elegância, quiça alguma beleza, o fogão e a pia.
Lá estavam eles na pequena cozinha verde, ele caminhava do fogão pra pia mexia uma panela, testava os temperos... o cheiro da comida já tomava conta do ambiente animando a conversa ainda desajeitada, aos poucos começavam a sintonizar o objetivo principal daquele ritual todo, imediato: "descobrir qual é o sabor do seu beijo" diria ele mais tarde.
Não era a primeira vez que fazia aquilo, a estratégia de um almoço ou jantar a dois há tempos já se tornara o seu ritual preferido, o mais promissor e mais eficiente de todas as táticas da sua guerrilha erótica. Mas aquela parecia diferente e mais desejada que todas as outras vezes, ela estava ali toda linda na casa dele, cozinha dele, assistindo sua performance gastronômica com carinha de admiração e desejo crescente, pouco a pouco ele estava vendo as barreiras imaginárias de diferenças que existiam entre eles se abrirem para interesses comuns, vontades iguais de desfrutar dos prazeres que a vida tivesse pra lhes oferecer.
Naquela dia que foi tarde acabou em noite se estendeu pela madrugada e continuou na mesa do café, foram amassados os lençóis, as toalhas jogadas na cama e ainda meio desajeitados procurando as peças de roupa jogadas pelo quarto. De manhã antes do beijo de até breve no ponto de ônibus, eles mentalmente teriam combinado que gozariam juntos muitas vezes dos prazeres ali experimentados.
Ouço ventos que me dizem que eles estão lá até hoje gozando infinitamente em rituais pecaminosos de gula,  luxuria e preguiça.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Vestindo fantasias, Tirando as roupas

foto: http://downloads.open4group.com/wallpapers/1600x1200/tirando-a-roupa-26431.html
Eis que quando penso na evolução humana me surpreendo ao constatar o quanto sou dissidente. Topei há pouco com um texto (aqui) que ressuscita um  velho dilema que de tão velho nem sabia que existia. O dilema da roupa íntima, que para muitos já teria sido debatido em excesso ao ponto de se chegar a conclusões obvias como calcinha bege é feio, cueca furada não pode e tanguinha nem pensar.Tanguinha?
Então vamos lá, qual deve ser a importância de escolher a roupa de baixo, roupa intima lingerie ou qualquer outro nome que se dê a ela.
Se a percepção feminina transforma a escolha da lingerie em uma missão que chega a ser um ritual desejado, pensado e planejado segundo propósitos e combinações, não é de se estranhar que se torne broxante quando o parceiro arrancar aquela calcinha tão idealizada, parece que o esmero na escolha da peça de roupa não foi da mesma forma considerado quando da escolha do parceiro. Se elas sabem pra quem estão se vestindo também espera-se que saibam a forma que serão despidas.
Não consegui encontrar no baú das reminiscências nenhuma referência à obrigatoriedade de se começar pelas beiradas, parece-me que nunca foi uma exigência de minhas parcerias sexuais que se começasse a comer pelas beiradas, ao contrário, há momentos de fome extrema que requerem que se arrancam fora panos, rendas, elásticos, fechos se quebram, botões são arrancados, e aquela roupa escolhida a dedo ali jogada num canto dá provas de dever cumprido, passando a não ter mais nenhuma importância naquele momento do encontro.
Ela não escolheu por acaso? Aquele encontro planejado que promete ‘mais’ foi antecedido por um ritual de escolha, longos minutos pra eleger a peça certa a ser usada. A que combine com o corpo, valorize as curvas, empine a bunda, que a deixe linda. Precisamos mesmo entender o que a roupa quer dizer? Sim, mulheres são criaturas meticulosas – e fantásticas.
Ela vai eleger a peça a ser usada de acordo com a roupa escolhida, conforme a ocasião, se casual ou não, de acordo com o tempo, e, principalmente, segundo o estado de espírito. Ela vai se olhar no espelho duas vezes pra ver se caiu bem.
Se a garota opta por um vestido leve, por exemplo. Bem poderia estar sem calcinha, não deixa marcas sob a roupa, o contorno dos quadris fica ainda mais evidente. Se o parceiro não for um ogro perceberá o detalhe deliciosamente excitante e passará todos os momentos que antecedem à revelação alimentando suas fantasias e aquecendo o desejo, ele estará pronto para admirá-la, sentir suas curvas, revelar o tesão, elogia-la, Fale de sua pele, de seu cheiro, de suas formas.
Se ela escolheu um sutiã tomara-que-caia, parece-me que tanto tempo de escolha foi desperdiçado, pois não há coisa mais inadequada para uma mulher possa usar em um encontro promissor. É feio e desajeitado, nunca vi um que valorizasse as formas dos seios, que aliás penso serem naturalmente belos e dispensam ser modelados por sutiãs com barbatanas metálicas, bojo com formato ou um recheiosinho que lhes aumente o volume. Na dúvida, não use.
Homens tem naturalmente alguma dificuldade em lidar com detalhes que as mulheres tiram de letra, dificuldade em abrir um sutiã que pode ter fechos laterais, traseiros, dianteiros ou nenhum, e não veem com manual de instrução que possamos consultar quando precisamos abrir. Na dúvida meninas, encarreguem-se de tirá-los vocês mesmas, assim não correrão o risco de terem seus peitos esmagados ou os braços torcidos por um amante mais desajeitado.
Atentem-se também ao fato de que existem habilidades natas e adquiridas alguns saberão lidar tão bem com suas vestes quanto saberão lidar com seu corpo. Outros não terão para uma ou outra coisa, ou nenhuma.
Eu tenho preferência por encontros eróticos onde não precisamos ficar planejando os passos, aqueles nos quais sem perceber como isso aconteceu já estamos nus, corpos ardentes misturando nossos cheiros e fluidos em um lúbrico bailado.
Se já namorarem há algum tempo, continue sendo carinhoso e demonstre o seu desejo, considere que cada transa é um passo na evolução, deixe-a perceber que você está atento às transformações naturais das curvas dos corpos, ao amadurecimento das ideias e, principalmente ao prazer, que tende a se intensificar conforme a cumplicidade cresce.
Deixe a sua amante (aqui esse termo é usado sem os preconceitos ligados a ele pela cultura de nossa sociedade machista. Amante aqui é a mulher amada que se entrega aos prazeres desse amor e desfruta-os com tesão) à vontade para vestir-se e despir-se sem embaraços, deixe claro que você não espera que ela esteja sempre com uma calcinha 0km com rendinhas laços e transparências como se estivesse embrulhada para presente.
Deixe-a saber que você sabe que  mulher gostosa de verdade é mulher que goza e se entrega ao gozo sem se render aos apelos do mercado que a tornam muito mais um objeto de vitrine, coberta pelas lingeries da moda que custam caríssimo. Assim, ela vai ter a certeza do seu carinho e atenção. A essa altura da conversa, você já sabe quem ganha com isso.
Um homem que observa a companheira, que busca conhecer seus desejos e procura se aproximar deles, e comenta sobre a sua satisfação em ser seu parceiro e que ainda tem sensibilidade para perceber sua roupa íntima, ajuda a escolher ou dá de presente faz massagem no ego dela sabendo muito bem o que está fazendo.
Caras, cueca furada ou encardida jamais, mulheres não gostam de homens desleixados, valem banhos, sabonetes, perfumes (sem exagero), hidratantes...
Por fim, comentem sempre e elogiem as roupas bonitas a produção caprichada, mas não gaste tempo e verbo demais com isso, o mais importante é o bombom dentro da embalagem, muitas vezes o bombom está se derretendo pelo calor e você vai ter que dar aquela lambidinha na embalagem pra não perder nada do delicioso petisco.
O bom mesmo é o desejo não deixar brechas pra ficar pensando em como tirar roupas.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O tesão de cozinhar com afeto - parte 1



Da série de coisas que aprendi com o mundo, desfrutar dos prazeres da cozinha figura entre os mais importantes. Das primeiras lições aprendidas em casa com minha mãe criativa, inventiva, cuidadosa, caprichosa e dedicada cozinheira. Aquela que tem na alma gravada a missão de servir aos próximos o melhor do alimento. Mais tarde a necessidade nos aperta: faculdade, RU, restaurante a kilo, comer aquilo? Morar em república, pão com ovo. Assim percebi que as minhas noções básicas de culinária, se incrementadas e aplicadas no dia a dia, seriam excelente fonte de dignidade na alimentação. Passei então a me dedicar a essa arte, aprendendo sempre uma receita ou uma maneira diferente de preparar um prato. Alguma coisa gostosa que comi em algum lugar logo deveria estar vindo à luz em minha cozinha. O primeiro resultado desse investimento é a socialização, convidar amig@s pra almoçar ou jantar e aquele bate-papo na cozinha regado a cores, cheiros e sabores que se misturam passava a ser meu ritual social preferido. Confesso que passei a ter muito mais amig@s à medida que investia na cozinha. Daí a descobrir a cozinha como excelente ferramenta de sedução foi evolução natural, uma paquera terá sempre um charme especial quando ganha o tempero de um convite pra jantar e as possibilidades se ampliam bastante.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

tudo ou nádegas

Eu.
de arrogante 
tantas vezes 
me sentindo
um nada
encontro meu tudo 
num par
de nádegas

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

- do copo de requeijão -


a imagem acima foi copiada desse blog que tem uma matéria sobre o tema. http://ambienteconsciente.wordpress.com/2010/10/04/copos-simples-e-reaproveitados/




do tratado universal de informações inúteis:
- do copo de requeijão - 


1. é vasilhame de vidro em forma de tronco cônico invertido com capacidade volumétrica aproximada de 290 cm³ usado originalmente para embalar requeijão cremoso*

2. é um elemento da cultura universal. em todos as casas de qualquer agrupamento ou habitação individual, existe ou existiu em algum momento um copo de requeijão.

3. é usado para servir qualquer tipo de bebida quente ou fria, sendo o preferido de alguns degustadores de cerveja, café de buteco, caipirinha e coca com gelo.
- depois de consumido o requeijão o copo nunca mais servirá para tal fim, não perdendo entretanto a função de copo.
- não foi fabricado como copo de uma bebida específica resultando daí seu caráter universal.

4. todo indivíduo acredita ter encontrado a felicidade quando chega no churrasco, camping, rancho e assemelhados e encontra num canto esquecido um copo de requeijão que vai adotar por toda sua estadia.
- ao fim do relacionamento será abandonado com a mesma displicência para ser novamente encontrado .

5. está ameaçado de extinção pois as indústrias passaram a usar uma embalagem ridícula de plástico que depois de descargada do requeijão não tem nenhuma utilidade. (ponto para o requeijão itambé que ainda vem em copos de requeijão)

6. requeijão cremoso é sempre mais gostoso quando vem em copo.

7. quando o requeijão é gostoso os copos aumentam na sua cristaleira e dão um charme de sustentabilidade maneiro.

Aceito doações de copos decorados de requeijão quanto mais tóxicos melhor...



é noiz!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sustentabilidade é...

Monte a sua própria composteira. A imagem ao lado mostra como fazer.
Abaixo alguns exemplos de caixa que podem  ser usadas.
Quer um passo a passo? tem vários na internet não fique parado comece agora...




















Minha solução para conseguir esterco sem ter que comprar?
Catar Bosta nos pastos da UFG. Poucos minutos de trabalho e olha o resultado...









sexta-feira, 11 de maio de 2012

Educação para Diversidade e Cidadania


A Violência do Discurso Religioso Homofóbico na Televisão
Este artigo apresenta pesquisa que investigou a  existência de conteúdo homofóbico no discurso do pastor Silas Malafaia em seus programas exibidos em redes de televisão e disponibilizados na internet através do seu site Vitória em Cristo e publicações de terceiros no youtube. Analisaram-se as reações do público através dos comentários publicados e a repercussão nos meios jornalísticos da ação das bancadas católicas e evangélicas contra a tentativa de aprovação de projeto de lei que criminaliza a homofobia, apontando para a necessidade de mobilização de toda a sociedade para garantia de seus direitos fundamentais de cidadania, resgatando a autonomia popular e o caráter laico do estado.
Artigo completo em .pdf

terça-feira, 24 de abril de 2012

FORA!

Pessoas ocupam as ruas de Goiânia Indignadas com a bandalheira...
ExiGimos Fora Marconi! #ForaMarconi

segunda-feira, 19 de março de 2012

Rabanete

Produz rápido, ciclo e 30 a 45 dias, pouco exigente em relação ao solo e cuidados.
Delicioso quando colhido e consumido bem fresco.

sexta-feira, 16 de março de 2012

coitadinha da vaquinha

Alguém rabiscou a vaquinha do Siron e pronto, foi suficiente pra despertar a indignação da geral.
Pessoas que criticam tanto tal atitude, que são as mesmas que estacionam nas curvas, não param na faixa, furam a fila do banco e do caixa do supermercado, e nem mesmo separam o próprio lixo.

Essa pessoas poderiam fazer uma busca rápida no google e descobrir:

1- Que o CowParade é uma intervenção urbana.
2- Que em uma intervenção urbana é esperada e desejada a intervenção do público.
3- Que no CowParade mundo afora as pessoas fazem muito mais que escrever na vaquinha.




quarta-feira, 9 de novembro de 2011

‎Estudantes da USP presos divulgam nota pública sobre a reintegração

Em comunicado, jovens manifestam repúdio à atuação da PM e ressaltam a necessidade do diálogo

Os alunos, presos nesta manhã, após a intervenção da Polícia Militar no prédio ocupado da reitoria, da USP, escreveram uma carta à população. O texto foi escrito à mão, de dentro dos ônibus, onde estão sendo mantidos.

Os estudantes, que neste momento se reúnem no 91º DP, em solidaridade aos colegas, conseguiram fazer com que água e mantimentos chegassem a eles, e publicaram a carta no blog da Ocupação. Advogados de movimentos estudantis da USP já estão na delegacia e prestam assessoria aos alunos.

A carta condena a invasão da PM, que, segundo eles, foi feita com um efetivo muito superior ao necessário, e ressalta a ideia de que a abertura do diálogo, por parte da reitoria, teria evitado o conflito. Abaixo, segue a carta na íntegra:

[Nota pública dos presos políticos da USP]

Nesta terça-feira, 08.11, a população assistiu à lamentável cena da tropa de choque invadindo a Universidade de São Paulo. Com a justificativa de manter a ordem, o governador do Estado, Geraldo Alckmin, aliado ao Reitor da USP, João Grandino Rodas, defenderam o uso da força policial contra a pacífica manifestação estudantil no campus.

Longe de produzir cenas de conflito entre estudantes e os homens do choque, a intenção do movimento sempre foi a de negociar suas reivindicações. Apesar da reintegração de posse estar juridicamente autorizada para acontecer a partir das 23h desta segunda feira, 07.11, o uso da força policial poderia e deveria ser evitado mediante um simples comunicado da reitoria de que as negociações estavam em andamento. 

Para além do discurso legalista da reitoria e de parte da imprensa, temos consciência de que as forças policiais agem politicamente e que a reintegração de posse foi uma resposta intransigente do Reitor a toda a comunidade universitária, demonstrando que, para ele, o uso da força deve se sobrepor ao diálogo. 

Permanecíamos ocupando a reitoria como forma de defender a liberdade de manifestação e acreditávamos que a gestão do atual reitor da USP estava finalmente disposta ao diálogo; o que, diante dos fatos, mostrou-se uma ilusão.

Os estudantes estavam organizados para realizar hoje um amplo ato, a partir das 12h, com o objetivo de exigir a retirada dos processos administrativos e disciplinares contra estudantes e trabalhadores e denunciar que a presença da polícia militar no campus é um instrumento da reitoria para eliminar resistências a seu projeto de universidade.

Os processos administrativos - deve-se salientar - são baseados em um artigo do estatuto da USP, elaborado em 1972 - em plena ditadura militar - que ainda vigora e proíbe atos democráticos de manifestação na Universidade.

A organização estudantil estava preparada para levantar as suas bandeiras de luta em um ato pacífico, realizar debates, panfletagens, e prezar pelo diálogo através da reunião de negociação com representantes da reitoria da USP que está marcada para esta quarta-feira, 9.11.

A reintegração de posse foi o caminho oposto ao que o reitor parecia se propor, e a militarização da USP com 400 homens do choque - uma força desproporcional diante do número de estudantes que estavam ocupando a reitoria nessa madrugada - foi um violento ataque ao direito de lutar, que expressa para toda a sociedade que as liberdades democráticas têm sido tratadas como caso de policia na Universidade de São Paulo.

Nossa luta não é de uma minoria: lutamos pela educação pública como um direito de toda a população e não por uma universidade fechada, militarizada e para poucos. A verdadeira minoria, que é a representante das elites do país, não vai nos calar com a força.

Fazemos um pedido para que os canais de comunicação cessem o massacre público ao movimento: a mobilização na USP é um movimento social que está sendo criminalizado.
Pedimos solidariedade às entidades estudantis, sindicais, movimentos sociais e de toda a população, para a luta contra a criminalização e pela defesa dos estudantes que foram detidos.

Veja a nota no blog da ocupação: http://ocupauspcontrarepressao.blogspot.com/2011/11/nota-publica-dos-presos-politicos-da.html

terça-feira, 17 de maio de 2011

Em meio à celebração, havia o ódio. Desafios à cidadania de lésbicas e gays no Brasil.


Luiz Mello[1] 
Neste Dia Mundial de Combate à Homofobia, 17 de maio, as manifestações que ocorrem em diferentes partes do Brasil têm algo muito significativo a celebrar, depois de mais de 30 anos de luta do movimento LGBT: a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconhece os casais homossexuais como entidades familiares. Mas esta comemoração não se dará de maneira integral, já que a mais recente tentativa de aprovar o Projeto de Lei nº 122, que prevê a punição da homofobia e tramita no Congresso Nacional há mais de dez anos, foi inviabilizada pela atuação de parlamentares que entendem ser este projeto uma ameaça ao direito de se condenar a homossexualidade a partir de argumentos bíblicos. E isso ocorre num contexto em que a relatora do Projeto, Senadora Marta Suplicy, já havia anunciado publicamente que acrescentaria uma emenda ao texto em discussão, de forma a garantir o direito dos religiosos de condenarem a homossexualidade, sem serem punidos pela lei. Claro que a tentativa de chegar a um acordo que viabilize a aprovação do projeto por esse caminho é um absurdo total, já que descaracteriza por completo o alcance da lei (basta imaginar uma lei de combate ao racismo e ao machismo que assegure o direito de se condenar negros, judeus e mulheres a partir de argumentos religiosos). Mas nem isso foi o bastante para estancar a ira santa dos defensores de uma sociedade que nega o direito de existência a pessoas não heterossexuais. Que estes embates, pelo menos, sirvam de lição: contra a homofobia radical não há diálogo possível.
Neste contexto, as perguntas sem respostas são muitas: por que tanto ódio em relação a homossexuais, travestis e transexuais? Qual o crime cometido por essas pessoas ao se relacionarem afetiva e sexualmente com outras de seu próprio sexo e/ou cruzarem as fronteiras de gênero? Qual a ameaça que representam para a ordem social vigente? Como ainda é possível existir respaldo social para o fato de pessoas LGBT serem sistematicamente humilhadas em público, cerceadas em seu direito de ir e vir, impedidas de demonstrar seus afetos publicamente e tratadas como párias e alienígenas em suas próprias sociedades? É para superar essas situações de grave violação de direitos humanos que se definiu o dia 17 de maio como um marco no combate à homofobia. Não nos esqueçamos de que mais de 80 países ainda punem práticas homossexuais com penas que variam de multa à prisão perpétua e morte, e de que no Brasil dezenas de travestis e homossexuais são assassinados cotidianamente com requintes de crueldade.
Apesar de tudo, comemoremos: pela primeira vez no Brasil pessoas homossexuais denunciam situações de preconceito, violência e discriminação ao mesmo tempo em que seus direitos conjugais são reconhecidos pelo Estado de maneira irrevogável. Agora, mais que nunca, lésbicas e gays poderão sair do armário e viver suas vidas à luz do dia, sem vergonha e medo de amar pessoas do mesmo sexo. Infelizmente, ainda devem se proteger do potencial recrudescimento de práticas homofóbicas no futuro imediato, dada a intolerância dos que não se conformam com o fim dos privilégios dos heterossexuais, já que daqui para frente os direitos relativos à conjugalidade - e também os deveres, diga-se de passagem - são de todos. Por incrível que possa parecer para algumas pessoas, desde o dia da decisão do STF, o mundo segue em sua mesma rotina ancestral: o sol nasce e se põe como de costume, o dia continua a ter 24 horas, as plantas crescem e as aves cantam. Mas, seguramente, em nossa sociedade houve uma mudança profunda: somos mais livres para viver o desejo e o amor entre adultos, de quaisquer sexos, sabendo que nossos vínculos conjugais serão cada vez mais respeitados.


[1] Professor da Faculdade de Ciências Sociais e Pesquisador do Ser-Tão, Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade, da Universidade Federal de Goiás.


terça-feira, 3 de maio de 2011

dança em foco

O curso de Licenciatura em Dança  da FEF/UFG  esta recebendo o dança em foco  - Festival Internacional de Vídeo & Dança realiza sua terceira edição em Goiânia com exibição da MIV – Mostra Internacional de Videodança, mesa redonda, oficina e performance.


quinta-feira, 24 de março de 2011

Governo de Goiás e PM Censuram TV Universitária

NOTA DE REPÚDIO
A TV UFG, canal 14 UHF, sinal de democracia, vem de público, formalizar veemente repúdio à ação de policiais militares contra uma equipe de gravação da emissora na tarde da última sextafeira, 18 de março.
A equipe da emissora composta por jornalista, cinegrafista e auxiliar de cinegrafia, ao montar os equipamentos para iniciar uma gravação na Praça Cívica, foi interceptada por um policial militar que solicitou autorização para filmagem no local.
Além de insistir na autorização, o PM intimidou a repórter encaminhando a mesma para uma sala localizada dentro do Palácio Pedro Ludovico Teixeira. Quando a jornalista chegou na sala percebeu que estava sozinha em meio a vários outros policiais. Dentro do recinto, o policial que abordou a equipe questionou a formação profissional da repórter e afirmou que a mesma ainda era estudante. Também perguntou o conteúdo da matéria que estava sendo produzida, dizendo que precisava saber se a matéria estava "falando mal do governo".
Mesmo explicando que era jornalista formada, contratada da TV UFG, que estava gravando em local público, com uma equipe e equipamentos identificados, a jornalista foi constrangida pelo policial militar. Ele insistiu em avisar que para a TV UFG registrar imagens na Praça Cívica, é necessário informar sobre o conteúdo da gravação aos policiais e ainda solicitar a referida - e Inconstitucional - autorização.
A TV UFG se indigna e lamenta o ocorrido, uma vez que a Constituição Federal Brasileira, em seu Artigo 220, estabelece que "A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição", e ainda, no segundo parágrafo deste mesmo Artigo, diz que "É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística".
Considerando que o local de gravação é uma praça pública, a sanção sofrida pela emissora parece tratar-se de uma forma de intimidação. Não é a primeira vez que a TV UFG produz matérias na Praça Cívica, no entanto é a primeira vez que é solicitada esta autorização que fere os princípios estabelecidos na Constituição. Mesmo com tudo isso, a emissora continuará cumprindo o seu papel de meio de informação, de TV pública.

Fundação RTVE – Campus Samambaia – Prédio da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas-FACE
3º andar – CEP: 74.001-970 – Caixa Postal 131 – Goiânia-GO – Fone: 62 3521 1910 / Fax: 62 3521 1911

quarta-feira, 16 de março de 2011

Pela moralização da Política

A guerra contra a chulice, está a começar. Não subestimem o povo que começa a ter conhecimento do que nos têm andado a fazer, do porquê de chegar ao ponto de ter de cortar na comida dos filhos! Estamos de olhos bem abertos e dispostos a fazer -quase-tudo, para mudar o rumo deste abuso. 
Todos os ''governantes'' (a saber, os que se governam...)
o Brasil falam em cortes de despesas - mas não dizem quais - e aumentos de impostos a pagar. 
  
Nenhum governante fala em: 
1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas,14.o e 15.o salários etc.) dos poderes da República; 
  
2. Redução dos deputados da Assembléia da República e seus gabinetes, profissionalizando-os como nos países a sério. Reforma das mordomias na Assembléia da República, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do pagode. Redução no mandato de Senador para 4 anos (igual aos outros mandatos); 
  
3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego; 
  
4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de reais/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo. 
  
5. Por exemplo as empresas de estacionamento não são verificadas porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táx i, se uns têm de cumprir porque não cumprem os outros?s e não são verificados como podem ser auditados? 
  
6. Redução drástica das Câmaras Municipais e Assembléias Municipais...; 
  
7. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotizaç ão dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas atividades; 
  
8. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc., das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País; 
  
9. Acabar com os motoristas particulares 24 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias e até, os filhos das amantes... 
  
10. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado; 
  
11. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado a compras, etc.; 
  
12. Acabar com o vaivém semanal dos deputados e respectivas estadias em  hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes; 
  
13. Controlar o pessoal da Função Pública (todos os funcionários pagos por nós) que nunca está no local de trabalho. HÁ QUADROS (diretores gerais e outros) QUE, EM VEZ DE ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM O TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE ADVOGADOS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES....; 
  
14. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir aos apadrinhados do poder - há hospitais de cidades com mais administradores que pessoal administrativo... pertencentes ás oligarquias locais do partido no poder... 
  
15. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar; 
  
16. Acabar com as várias aposentadorias por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado. 
  
17. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes, CPMF, precatórios; 
  
18. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os biltres que fizeram fortunas e adquiriram patrimônios de forma indevida e à custa do contribuinte, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiros segundo esquemas pretensamente "legais", sem controle, e vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o progresso do país e para a assistência aos que efetivamente dela precisam; 
  
19. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efetivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas à medida; 
  
21. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos. 
  
22. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu patrimônio antes e depois. 
  
23. Pôr os Bancos pagando impostos. 
  24. Pôr os Bancos atendendo a população em horário comercial (08:00hs às 18:00hs), o que com certeza os obrigará a contratar mais gente, criando mais empregos e atendendo melhor aos clientes. 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

E você o que pensa de mim?

Precisando elevar minha auto-estima, me lembrei desse texto da Leandra, de 2006.
Sei lá se algum dia alguém vai escrever algo tão emocionante a meu respeito.
A Rare Man

sábado, 25 de outubro de 2008

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Tempo, Física e Poesia


O Trabalho que inspirou a criação deste blog agora disponível na íntegra.

Clique aqui ou na capa ao lado para abrir o pdf.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Velho Sobrado


Aquela rua era uma das mais antigas da cidade, trazia muitos anos de história marcados em seu calçamento de pedras pretas brilhantes, o velho sobrado que pertenceu a minha família era uma das poucas construções originais que ainda resistiam ao progresso. Ficava no centro de um enorme terreno, rodeado por um extenso jardim de lindos canteiros floridos com uma fonte ao centro encimada por um chafariz em forma de querubim, atrás da casa ainda existiam mangueiras e jabuticabeiras centenárias, o terreno se estendia até a rua de trás unindo-se a outra casa por um pequeno portão. Aquele foi por muito tempo o paraíso para mim, refúgio em minha infância e lugar de repouso em minha juventude.



Com dificuldade, tentando superar a dor, caminhei lentamente pela rua contemplando a beleza da arquitetura daquela casa, me detive por um breve instante diante do portão de ferro, empurrei-o e alguns passos depois estava atravessando a porta entreaberta. Esta porta nunca esteve trancada e a casa nunca foi tão vazia quanto agora.
A ampla sala outrora tão alegre estava silenciosa, nada se ouvia senão o vento emergindo entre as frestas das enormes janelas. Hoje não havia ali crianças brincando ou mesmo adultos conversando. A mesa parecia posta para o jantar doze cadeiras cuidadosamente dispostas a circundavam, os altos encostos de madeira entalhada e acolchoados em veludo davam um toque de refinamento enquanto a poeira que os cobria denotava o abandono.
Subindo a escada acreditava deixar para trás, anos de vão sofrimento. De alguma forma sabia reconhecer que seria esta a última vez. Levaria dali apenas as roupas que me cabiam no corpo e naquele momento atenuavam o desconforto dos dois graus de uma tarde invernal, nada de material era mais relevante.
A porta em frente à escada dava entrada à biblioteca, num último momento parei diante daquela porta e pus o pensamento a viajar pelo tempo, tentando pela última vez encontrar a resposta para a questão que carregava desde a infância: Por que chamam esta sala sombria de biblioteca?
As primeiras lembranças conscientes me levaram aos cinco, seis anos de idade, dia de visitar a vovó era um dia muito esperado. Embora não pensasse nisso durante todo o ano, as vésperas de natal eram tomadas por tamanha ansiedade que atingia a todos naquela casa. Era a única oportunidade que tínhamos para deixar a fazenda, o trabalho duro e passar alguns dias de festas ao lado de parentes queridos.
Aquela viagem começou no dia vinte e dois de dezembro, era domingo e consentiu-se que prolongaríamos o feriado, o início era uma caminhada, cerca de dois quilômetros distava a casa da linha. O ônibus que levava até a primeira cidade passava a qualquer momento depois das sete e meia, fazendo com que todos acordassem enquanto as galinhas ainda dormiam. A chuva da noite anterior fora forte, mas agora o céu aparecia estrelado e ainda levaria mais de uma hora para que as primeiras luzes da aurora surgissem, por isso, uma lanterna fraca era o guia pelo enlameado caminho. Papai ia à frente com as malas mais pesadas e a lanterna, ele parecia ter quatro braços, pois vez ou outra ainda tinha que ajudar as três crianças a superar alguns obstáculos pelo caminho. Mamãe, cuidadosa, seguia atrás com mais algumas sacolas. Tinha o capricho de trazer alguns trapos velhos e pares de sapatos limpos, alguns novos, para que pudessem se limpar do barro da estrada e estarem impecáveis com sapatos brilhantes e roupas limpas quando chegasse o expresso.
Faltavam ainda alguns minutos para as sete e naquele dia, o ônibus ficara encalhado num atoleiro e atrasaria ainda mais de meia hora. Para quem esperava o ano inteiro esta viagem, parecia um século aqueles trinta e poucos minutos. A penitência duraria ainda muitas horas e algumas trocas de ônibus até chegarem ao seu destino, o que só aconteceria no final da tarde. O almoço seria pasteis gordurosos e mornos de uma rodoviária, mas para as crianças isso era ótimo, vinham acompanhados de uma garrafa de jaózinho, coisa que não existia na fazenda.
Tão logo chegamos o cansaço da viagem desaparecera e agora corríamos extasiados pelo jardim, encontrando outras crianças, atravessamos o pomar e cruzando o portão já estávamos na outra casa, encontrando nossos primos e aumentando a algazarra, falávamos sobre a viagem e tentávamos adivinhar quais seriam os presentes que ganharíamos logo mais, fazíamos a lista das pessoas que esperávamos ver e contávamos quantos faltavam para completar nossa festa.
Interrompendo as lembranças, voltei para a porta da proibida biblioteca, antes sempre fechada e agora entreaberta, empurrei-a até o batente, caminhei em direção ao centro da sala quase vazia, o som de meus passos sobre o assoalho de madeira era amplificado pelo pé direito de quase quatro metros, ecoando no forro adornado por belos entalhes em madeira que repetiam grafismos de estrelas, no centro, uma enorme cruz em relevo se destacava, imaginei que seria um elemento próprio para decorar o teto de uma capela. Uma namoradeira finamente trabalhada, acolchoada com veludo vinho e detalhes de flor-de-lis agora coberta de poeira era a única peça restante, três janelas enormes deixavam passar por suas treliças já tomadas por cupins e aranhas uns poucos fachos de luz. Uma grande porta com detalhes em vitral dava acesso à pequena sacada, retalhos de vidro multicor retratavam cenas da paixão de cristo. Não quis abri-la, a luz do dia não mais me interessava, além disso, a paisagem que outrora revelava aquela sacada há muito fora substituída por um enorme prédio de cor cinzenta e vidros escuros, negros que escondiam tudo o que existia lá dentro, símbolo da imponência de uma nova era que sepultou as belezas daquela cidade.
Parei um instante diante daqueles vitrais, olhava ora para os desenhos ora para a cruz no teto, os símbolos e cenas ali representavam dor, sofrimento, morte, separação... Por que valorizamos tanto o sofrimento e esquecemos com tanta facilidade os pequenos momentos quase insignificantes que nos trazem satisfação e não percebemos que neles está o caminho para a felicidade? Há dois mil anos nos ajoelhamos diante da cena de um Homem humilhado em um madeiro, despido de suas vestes, coroado por espinhos, com o corpo lacerado por chibatadas e arranhões de uma humilhante caminhada e ali depositamos nossas súplicas e desejos. São raros, porém os momentos que nos lembramos das belas mensagens e felizes acontecimentos que nos deixou como herança esse mesmo homem.
Num canto da sala estava o enorme baú que fora o alvo da curiosidade das crianças que corriam por esses salões, escadarias e corredores. Caminhei lentamente para ele lembrando se tratar de um local proibido, o que guardaria esta caixa tão guardada todos esses anos e agora abandonada tão vulnerável? A tampa do baú sequer possuía tranca, nunca possuiu. Sua tampa leve logo estava aberta, revelando os segredos que um dia encerrou, poucos objetos restaram ali, mas foram guardados como se fossem tesouros valiosos.
_ Um par de sapatos com marcas de muito uso porém bem cuidados, tirando com a mão um pouco de poeira que o cobria, notava-se que tinha sido cuidadosamente engraxado antes que fosse embalado em uma caixa forrada de papel e depositado ali. Perguntava-me por que aquele sapato esteve ali todos esses anos enquanto milhares caminhavam descalços? Devolve-lo à caixa e esta ao baú era minha única escolha agora.
_ Uma caixa de madeira coberta com papel metalizado era o próximo alvo, era pesada e trancada por uma minúscula chave que estranhamente ficava presa ao fecho por um cordão púrpuro, trazia muitas moedas, de diversos tamanhos e cores, muitas eras podiam ser contadas por aquelas peças de réis, cruzeiros, e cruzados. Uma moeda de quarto de dólar se destacava prateada entre todas, cédulas de valores que iam de um a um milhão cuidadosamente estendidas no fundo da caixa sequer traziam marcas de dobras, pareciam estar tal como saíram das prensas da casa da moeda exceto uma pequena cédula verde de um cruzeiro, suja e rota trazia uma inscrição em caligrafia canhestra: “quem pegar nessa nota vai ter muito ‘dinhero’ e vai ser rico”. Aquela pequena caixa encerrava a fortuna de toda uma vida de alguém que outrora acreditou nessa profecia.
_ Aquilo parecia ser um livro mas revelava o que um dia foi um álbum de fotografias, folheei-o lentamente fitando com atenção cada um daqueles momentos retratados. Que fim tiveram todas aquelas pessoas? De alguns nem se lembrava outras pareciam tão presentes como se nunca tivesse me separado delas. Mais adiante uma fotografia chamou-me atenção, uma mesa posta com comidas variadas, muitos pratos e talheres, porém todas as cadeiras vazias, nenhuma pessoa se via, aquela foto parecia uma tentativa de capturar e guardar aquele momento de fartura. Que outro motivo alguém teria para fotografar macarronada, arroz, leitoa assada, saladas e pães?
Frustrado, devolvi tudo ao baú e o fechei, sepultando a curiosidade que me acompanhou por tantos anos. Não havia ali segredos irreveláveis tampouco tesouros ou qualquer coisa que significasse naquele momento.
Ao lado do baú, uma pequena mesa trazia um castiçal e um livro do qual restou muito pouco, a capa com inscrições em ouro “Bíblia Sagrada”, as folhas foram destruídas pela umidade ou comidas por traças e no que sobrou de uma página ainda podia se ler o cabeçalho: “João 3”. Em meus anos de consciência este foi o único livro que existiu nesta sala que insistiam em chamar biblioteca, ficava sempre aberto e marcado por uma fita de cetim vermelho. Aquele castiçal trouxe por muito tempo uma vela permanentemente acesa, agora algumas gotas de cera eram o que restava.
Uma enxurrada de lembranças atropelou-me neste momento, levantei os olhos e a casa estava reluzente, as janelas abertas deixavam entrar a luz do sol e o perfume das flores que cresciam no jardim, o som de uma voz muito afinada acompanhado de um suave violão vinha da sala principal. Voltei pelo corredor, e, descendo as escadas pude abraçar vovó Inácia, Quanta saudade eu tinha dela, dos doces que me oferecia escondido de mamãe quase na hora do almoço; tia Clarita, a irmã mais velha de papai, eu sempre ia à casa dela chupar jabuticabas e mangas, uma pessoa muito alegre e brincalhona, bem diferente de papai sempre tão sério; e vovô Geraldo, seus cabelos brancos, parecia o mesmo desde a última vez que o vi. Todos pareciam esperar minha chegada, meu primo Alfredo, que tocava o violão, encostou no sofá seu instrumento, me deu um forte abraço e disse com uma voz suave:
_ Que bom que você chegou! Agora estamos prontos.
Lembrei-me então do tempo em que eu, garoto, ficava horas observando-o dedilhar com maestria o violão e imaginando o dia que faria igual a ele. Que fins levaram esses sonhos de infância eu não sei, o sonho permaneceu, mas a frustração de nunca ter aprendido música voltou a mim naquele instante e nem mesmo me atentei às palavras de Alfredo.
Todos se encaminhavam para a mesa e foram, um a um tomando os mesmos assentos que sempre ocupavam nessa ocasião, encontrei em minhas memórias fragmentos da última vez que participei deste banquete. Na verdade nós crianças éramos servidas antes e em separado, éramos tantos e fazíamos tanto barulho que, creio, atrapalhávamos o tom de cerimônia.
Hoje, porém foi diferente, vovô Geraldo me apontando a cadeira que sempre fora a dele pediu que eu ocupasse o lugar de honra, pois era o convidado principal. Um pouco constrangido tomei o lugar ofertado e começamos as orações, agradecemos a Deus pelo alimento ali servido e vovó Inácia fez seu agradecimento especial pela minha presença e pediu consolo para os ausentes.
Todos comemos. O cardápio era o mesmo de tantos anos atrás, mas o sabor, realçado pela emoção de estar depois de tanto tempo sentado à mesa com pessoas tão queridas, era algo divino. Saboreei cada grão, cada fatia daquele prato.
Senhor Romualdo, vizinho e amigo da família por várias gerações, como sempre, fez questão de servir o licor e tia Clarita se apressava a buscar a bandeja do cafezinho que já espalhava seu perfume pelo ar. Após o café, todos permaneceram na sala, Alfredo voltara para o violão e continuava nos premiando com suas sonatas perfeitas, os demais permaneciam calados, seus olhares se cruzavam e sempre dirigidos a mim, seus rostos emolduravam ternos sorrisos silenciosos.
Depois de horas sem uma palavra, vovô se aproximou de mim e segurando minha mão começou a me falar:
_ Filho, sei que hoje você entrou pela primeira vez na biblioteca, com certeza não encontrou lá nenhum dos tesouros que fantasiava em sua infância e, como viu a porta hoje estava aberta para você.
Quis perguntar por que chamavam de biblioteca, por que era proibida para mim, por que, por que...
Não houve tempo para pronúncias, vovô como quem adivinhasse meus pensamentos foi dando as respostas.
_ Aquele lugar um dia foi uma biblioteca, ali existiam três estantes com livros, enciclopédias completas e uma linda coleção de literatura clássica. Seu pai era criança nesse tempo, ele adorava o lugar, logo que aprendeu a ler iniciou sua saga de leitura, iniciou por Júlio Verne pela curiosidade científica que lhe era natural, mas sempre dizia que Machado de Assis era seu autor preferido. Muitas vezes, tarde da noite, vinha ele procurar velas para continuar a ler. Não tínhamos eletricidade na casa àquela época.
_ Os livros, que fim tiveram? Numa noite, antevéspera do natal, ele estava lá com seu castiçal debruçado sobre um volume de contos de natal, queria escolher um para contar na noite seguinte. Todos na casa já dormiam quando de súbito despertei e corri para a biblioteca que encontrei envolta em fumaça, abri a porta e seu pai estava caído abraçado a alguns livros e cercado pelas chamas que já dominavam as estantes e se espalhavam pelo assoalho de madeira. Corri e arrastei-o para fora, já com as roupas queimando, ao passar pela porta fui atingido no olho por um pedaço de madeira incandescente. Essa é então a origem das marcas de queimaduras que seu pai para sempre carrega nas costas e de minha deformação do rosto e cegueira do olho esquerdo.
_ A casa estava cheia naquele dia e enquanto Clarita socorria as crianças, os adultos se apressavam em trazer água e abafadores para conter o fogo. Aquele lado da casa ficou arruinado e nosso natal também. Vários vizinhos vieram ajudar e um deles acabou morrendo, sufocado pela fumaça quando tentava salvar os livros preferidos de seu pai.
_ No ano seguinte fizemos a reforma da casa, decidimos então construir uma capela naquele lugar em homenagem ao nosso vizinho falecido. Seu pai, traumatizado, abandonou os estudos e nunca mais abriu um livro.
_ A capela ficou linda, a madeira do forro, os vitrais da janela e o altar entalhado eram perfeitos para minha prejudicada visão. Ao longo dos anos ela ficou fechada, ninguém gostava de entrar lá pelas lembranças que o lugar encerrava. Até o dia que Alfredo descobriu ali o lugar ideal para seus estudos de música, era um lugar tranqüilo e tinha acústica perfeita.
Alfredo então se aproximou de mim e passou a ajudar vovô no relato:
_ Eu era criança quando ganhei meu primeiro violão de presente de aniversário e logo percebi que tinha jeito pra música, estudei muito até a adolescência e em seguida entrei na faculdade de música no mesmo ano que você nasceu. Quando você era um bebê eu tocava suaves melodias que embalavam seu sono. À medida que foi crescendo, sempre que nos encontrávamos você parava e observava admirado por horas enquanto eu tocava, todos diziam que seria meu seguidor na música e então comecei a lhe ensinar os primeiros acordes que você repetia com dificuldade tentando esticar seus pequenos dedinhos sobre o braço do violão.
_ Creio que deve estar imaginando por que não continuou estudando violão depois disso. Seus pais resolveram se mudar para longe daqui e...
Neste instante tia Clarita entrou na sala interrompendo a narrativa de Alfredo e anunciando que chegaram os homens da construtora. Por alguns instantes fiquei paralisado pelo silêncio sepulcral que esta notícia causara, ninguém saiu do lugar onde estava enquanto o barulho de muitas botas invadiu a casa.
Os homens entraram e começaram a carregar os móveis para o lado de fora onde os esperava um caminhão sem se importar com nossa presença, na verdade pareciam nem nota-la. Eu quis correr para fora e impedi-los, mas fui contido por Alfredo que me disse que deveríamos permanecer dentro da casa.
Sem qualquer outra explicação, vovô Geraldo chamou todos e disse que devíamos subir para a biblioteca para que não interferíssemos no trabalho. Em fila subimos as escadas e nos encaminhamos para aquela sala que estranhamente não parecia a mesma de momentos atrás. O baú não estava mais lá, muitas velas acesas clareavam todo o ambiente e exalavam um suave perfume de sândalo, cortinas brancas muito leves cobriam todas as paredes, balançando a uma suave brisa fresca. Nesse momento me dei conta que há algumas horas havia desaparecido o frio que tanto me incomodava quando cheguei à casa. Confortado pela presença de tantas pessoas queridas fiquei ali por alguns minutos ouvindo o som dos últimos passos de pessoas sobre aqueles assoalhos que faziam fundo para o fim da história daquele sobrado.
Estamos todos juntos. Estamos prontos agora.